As bases bíblicas da doutrina de missões

Adicionado em 01/08/2008 

Introdução

 

O texto de Gênesis 11.1-9 registra a história da Torre de Babel. A grande multidão reunida na região de Sinar foi dispersa dali sobre a face de toda a terra por causa da confusão das línguas. Todavia, Apocalipse cap. 7 fala sobre a unificação de todas as nações, tribos, povos e línguas; e isto só será possível por causa da obra missionária.

Portanto, o alvo de missões é promover esta unidade em Cristo, como disse o apóstolo Paulo:

 

“Para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas às coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra”

(Ef 1.10).

 

Que grande desafio para a Igreja de Jesus, de completar a evangelização do mundo, alcançando os povos e ganhando o maior número possível de vidas para Cristo.

 

1. Missões é questão de obediência

Há coisas que são facultativas para uma igreja, como, por exemplo, a construção de templos. Em muitos lugares as igrejas se reúnem em lares, em tendas, debaixo de árvores, em dependências emprestadas ou alugadas. Contudo, missões é mandamento de

Jesus e cabe à igreja obedecê-lo. Falar de “igreja missionária” é redundância, pois o significado original da palavra “igreja” é: a comunidade daqueles que são chamados para fora.

Após a ressurreição de Jesus, o assunto predominante da sua conversa com os seus discípulos foi “missões”, conforme os seguintes textos:

 

“E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos”

 (Mt 28.18-20).

 

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”

(Mc 16.15 e 16).

 

“E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas”

 (Lc 24.46-48).

 

“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”

(Jo 17.18).

 

“E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samária, e até aos confins da terra”

(At 1.7 e 8).

 

“Então foi-me dito: Importa que profetizes outra vez acerca de muitos povos, nações, línguas e reis”

 ( Ap 10.11).

 

2. Pensamentos contrários à realização da obra missionária

Evidentemente que a maioria dos crentes conhece estes textos e sabe que estas palavras são verdadeiras. Todavia, alguns têm levantado objeções para com a obra missionária. Analisemos algumas delas.

 

2.1. Muitos acham que a obra missionária pode ter outras e várias finalidades

1 - Não são poucos os que têm entendido missões como: filantropia, engajamento político para acabar com a opressão e as injustiças sociais, programas educacionais para restaurar a dignidade do ser humano etc. Porém, missões, segundo o ensinamento de

 

Jesus significa

 

2.1.1. Fazer discípulos

 

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações”

(Mt 28.19).

 

Discípulo é aquele que renuncia a tudo quanto tem para seguir a Jesus.

 

2.1.2. Pregar o Evangelho

 

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura”                (Mc 16.15).

 

O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer. Precisamos pregá-lo assim como o temos recebido:

 

“(...) que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras”                        (1 Co 15.3 e 4).

 

2.1.3. Ser testemunhas

“E ser-me-eis testemunhas...”

(At 1.8).

Testemunha é aquele cristão que teve uma experiência pessoal com Jesus e vai falar das coisas que viu, ouviu e aprendeu:

 

“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida (pois a vida foi manifestada, e nós a temos visto, e dela testificamos, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e a nós foi manifestada). Sim, o que vimos e ouvimos, isto vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo”

(1 Jo1.1-3).

 

2.2. Muitos dizem que, onde estão, ali é o seu campo missionário

Este é argumento para não se envolver com a obra de missionária nacional e mundial. Não é, porventura, uma grande presunção querer mudar os limites estabelecidos por Jesus?

 

2.2.1. Limite geográfico:

 

“(...) até os confins da terra” (At 1.8), “de todas as nações”

(Mt 28.19), “ por todo o mundo (...) pregai (...) a toda criatura” (Mc 16.15).

 

2.2.2. Limite de tempo:

 

“(...) até à consumação dos séculos” (Mt 28.20); “(...)

estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Co 11.26).

 

2.3. Alguns defendem que ainda não é chegado o tempo de fazer missões

São muitas as igrejas argumentando que não podem se envolver com missões porque estão investindo em outras metas, como aquisição de imóveis e outros bens, ou em projetos diversos. Tudo é questão de prioridade. Se missões não for o ministério mais importante da igreja, certamente outras coisas o serão.

Jesus disse que devemos buscar, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e as outras coisas nos serão acrescentadas (Mt 6.33). Somos tentados a inverter este ensinamento, buscando em primeiro lugar as outras coisas e deixando os interesses do reino de Deus em segundo plano.

Para os discípulos de Jesus, ainda não era tempo de evangelizar os samaritanos.

Tinham ido a cidade de Sicar comprar provisões para o caminho, mas não falaram a ninguém sobre Jesus, que estava ali tão perto deles. O problema é que eles estavam preocupados com os aspectos materiais e administrativos do ministério de Jesus.

Mas, ao contrário, a mulher samaritana deixou o seu cântaro e foi falar a todo mundo que havia tido uma experiência pessoal com o Messias (Jo 4.1-42). Enquanto ela estava fazendo missões, Jesus aproveitou a oportunidade para dar uma aula deste assunto aos seus discípulos, focalizando quatro pontos importantes:

 

2.3.1. Missões é prioridade:

 

“A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra” (v. 34).

 

2.3.2. Missões é urgente:

 

“Não dizeis vós: ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Ora, eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede os campos, que já estão brancos para a ceifa” (v. 35).

 

2.3.3. Missões é um trabalho feita na base da cooperação:

 

“Porque nisto é verdadeiro o ditado; um é o que semeia, e outro o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhastes, e outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho”

 (vs. 37 e 38).

 

2.3.4. Missões concede recompensas:

 

“O ceifeiro recebe desde já o seu salário, desde já ceifa a colheita para a vida eterna, e assim se regozijam tanto o semeador como o ceifeiro”

(v. 36).

 

2.4. Muitos dizem que missões é coisa do passado

Era assim que pensavam os contemporâneos de William Carey, quando este procurava convencer os seus colegas ingleses de que deveriam se mobilizar para evangelizar os pagãos da Índia. Aqueles que eram contra essa idéia argumentaram que a Grande Comissão fora dada por Jesus somente aos seus discípulos do primeiro século.

Acrescentando, disseram que “se Deus quisesse salvar aqueles pagãos, iria usar outros meios ao invés deles”.

A versão moderna deste argumento, muito em voga, é o ecumenismo e o sincretismo religioso, que procuram elementos comuns em todas as religiões do mundo e tentam ignorar as diferenças para não prejudicar o diálogo. Em muitos círculos, palavras como “evangelismo”, “conversão”, “arrependimento” etc. têm sido consideradas como proselitismo e em termos pejorativos.

Na véspera da guerra do Afeganistão, um grupo de missionários, que cuidava das necessidades do corpo e da alma da população, foi preso e ameaçado de morte.

Depois de todos os esforços diplomáticos, eles foram libertados. Uma repórter inglesa, comentando o acontecimento, disse o seguinte: “Que coisa ridícula ficar fazendo proselitismo no país. Neste caso, a prisão deles foi merecida por não respeitar a religião dos muçulmanos. Seria fantástico se tivessem sido presos por uma causa nobre, como por exemplo, a defesa do homossexualismo e dos direito das mulheres, mas não por causa da pregação do Evangelho”.

Bem que a Bíblia diz que a pregação é loucura para os que perecem.

Como já mencionado, o limite de tempo para se fazer missões é até o fim:

 

“E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todos as nações, e então virá o fim”

(Mt 24.14).

 

Só então a obra missionária alcançará o seu objetivo final, que é a reunião daquela grande multidão, segundo a visão de João:

 

“(...) multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam em pé diante do trono e em presença do Cordeiro, trajando compridas vestes brancas, e com palmas nas mãos; e clamavam com grande voz: Salvação ao nosso Deus, que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro”

(Ap 7.9 e 10).

 

Pelo fato de ainda ter muitos povos não alcançados, a tarefa de evangelização não está terminada. Missões é para o presente e o futuro. Deus está fazendo coisas maravilhosas em nossos dias através da sua Igreja para alcançar os seus propósitos.

Nós mesmos estamos sendo testemunhas do despertamento espiritual que está acontecendo entre o povo cigano da Romênia. No primeiro semestre do ano passado, 65 deles foram batizados na mesma ocasião. Também, neste mesmo período, realizamos, em Bucareste, o primeiro congresso missionário cigano.

 

3. Consolidar ou avançar?

O evangelista Marcos relata que o ministério de Jesus estava crescendo muito e os discípulos propuseram que deveriam parar para consolidar.

 

“Foram, pois, Simão e seus companheiros procurá-lo; e quando o encontraram, disseram-lhe: Todos te buscam.” Porém ele disse que avançar era a sua prioridade: “Vamos a outras partes, às povoações vizinhas, para que eu pregue ali também; pois para isso é que vim”

(Mc 1:36-39).

 

4. O fundamento da doutrina de missões é o próprio Cristo

 

“Pois ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo”

 (1 Co 3.11).

 

A obra missionária desenvolvida pelo apóstolo Paulo era sobre esta base, e ele exorta a cada um de nós a edificar sobre ela com muita responsabilidade:

 

“Mas veja cada um como edifica sobre ele”

(1 Co 3.10).

 

Se edificar com fidelidade e sabedoria, receberá recompensa; todavia, “se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo (1Co 3.14 e 15).

 

Conclusão

 

Toda igreja precisa ter a visão de mundo:

 

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira...”

 (Jo 3.16).

 

Uma pequena igreja da capital da Romênia estava muito atrofiada em seu crescimento, até a chegada do seu novo pastor, cujo coração ardia pela obra missionária. Ele começou a orar por missões, a ensinar sobre a Grande Comissão e a fazer viagens missionárias com a igreja. Resultado, a igreja está, agora, explodindo em crescimento e servindo de modelo para as demais.

Visão missionária é a própria visão do Reino; é ver o mundo com os olhos de Deus; é concordar com Jesus de que o nosso reino não é deste mundo, mas que somos enviados por ele para colaborar com o seu plano de redenção, promovendo o engrandecimento do seu reino.

 

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz”

(1 Pe 2.9).

 

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